O cenário que mudou o papel do RH

A gestão de pessoas entrou definitivamente na agenda estratégica das empresas. Os números do Ministério da Previdência Social e do TST explicam essa mudança: transtornos mentais crescem em ritmo acelerado como causa de afastamento, o volume de ações trabalhistas permanece alto e o custo financeiro das condenações é bilionário. Ao mesmo tempo, pesquisa da Deloitte mostra que apenas 27% das organizações acreditam administrar bem as transformações que enfrentam.

"O RH passou a ter um papel essencial na prevenção de riscos. Hoje, acompanhar a legislação significa revisar processos, orientar lideranças e garantir que a empresa esteja preparada para responder rapidamente às mudanças. A conformidade deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a fazer parte da estratégia do negócio."

Dra. Angélica Rossi

É essa mudança de postura que separa a empresa que apenas reage às autuações daquela que antecipa os riscos — e reduz passivos, retém talentos e fortalece a governança.

Lei 15.371/26: o novo modelo de licença-paternidade

Entre as principais novidades do semestre está a Lei 15.371/26, que cria um novo modelo de licença-paternidade. Embora as regras entrem em vigor apenas em janeiro de 2027, o ano de 2026 foi reservado justamente para que empresas adaptem políticas internas, processos de afastamento e sistemas de folha de pagamento.

A legislação amplia gradualmente o período de licença, cria o salário-paternidade e prevê estabilidade provisória para o trabalhador durante o período protegido. O planejamento antecipado será fundamental para evitar dificuldades na implementação — especialmente em empresas com operações contínuas, escalas complexas e sistemas de folha integrados a benefícios.

Atenção: Ajustar sistemas de folha, revisar políticas de pessoas e treinar gestores leva tempo. Empresas que deixarem para dezembro terão que correr, risco de erro de cálculo e potencial descumprimento legal já no início de 2027.

NR-1 e riscos psicossociais: saúde mental como conformidade

Outra mudança de grande impacto foi o início da fiscalização das exigências da NR-1 relacionadas aos riscos psicossociais. Desde maio, fatores como assédio, sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas e burnout passaram a integrar o PGR — Programa de Gerenciamento de Riscos, tornando a saúde mental uma questão de conformidade, e não apenas de bem-estar.

O que muda na prática: não basta promover campanhas de qualidade de vida. As empresas precisam demonstrar que identificam, avaliam e tratam esses riscos — com documentação, ações preventivas e participação dos trabalhadores na elaboração e revisão do PGR. Saúde mental passou a constar no mesmo patamar legal de ruído, químicos e riscos físicos.

O descumprimento pode gerar autuação pela fiscalização do trabalho, multa e fortalecimento de ações trabalhistas por danos morais e adoecimento ocupacional — inclusive com impacto no FAP e, consequentemente, no custo da folha.

FGTS Digital, eSocial e trabalho em feriados

O semestre também trouxe mudanças importantes para a rotina do Departamento Pessoal. A obrigatoriedade do FGTS Digital em recolhimentos decorrentes de ações trabalhistas, as atualizações do eSocial e as novas regras para o trabalho em feriados exigiram revisão de procedimentos e maior integração entre RH, Jurídico e áreas administrativas.

Mudança O que exige da empresa
FGTS Digital Recolhimentos decorrentes de ações trabalhistas pelo novo sistema; integração entre Jurídico e DP
eSocial atualizado Revisão de eventos, prazos e envio de informações; alinhamento com a nova plataforma
Trabalho em feriados Revisão de acordos individuais e coletivos, compensação e remuneração
PGR psicossocial Mapear e tratar burnout, assédio e sobrecarga com participação dos trabalhadores

O RH deixa de ser operacional para atuar de forma estratégica

Para especialistas, as mudanças do semestre reforçam um movimento que já vinha acontecendo dentro das organizações. O RH deixou de atuar apenas como executor das obrigações trabalhistas: hoje precisa antecipar impactos, revisar políticas internas, preparar gestores e trabalhar de forma integrada com outras áreas.

"Quando a empresa trata a conformidade como parte da estratégia, ela fortalece a governança, melhora a experiência dos colaboradores e reduz a exposição a passivos trabalhistas. É uma mudança que beneficia tanto o negócio quanto as pessoas."

Dra. Angélica Rossi

O maior desafio, na avaliação da especialista, é transformar atualizações legais em práticas consistentes de gestão. Isso envolve capacitação de lideranças, revisão de políticas internas, mapeamento de riscos e integração com o Jurídico — não apenas atualizar manuais.

O que muda para o trabalhador

Se, por um lado, as empresas precisam de adaptação, por outro, o trabalhador ganha novos direitos e maior proteção. A ampliação da licença-paternidade, a estabilidade provisória e o reconhecimento legal dos riscos psicossociais são avanços concretos. Quando o adoecimento mental decorre de ambiente tóxico não gerenciado, é possível buscar auxílio-doença acidentário (sem carência, contando tempo para aposentadoria) e indenização por danos morais.

A

Documente a exposição

Guarde e-mails, mensagens, registros de jornada e testemunhas que comprovem assédio, sobrecarga ou prática de metas inatingíveis.

B

Busque atendimento

Procure médico e psicólogo e peça que o laudo registre a relação entre os sintomas e o ambiente de trabalho.

C

Comunique formalmente

Relate a situação à empresa por escrito. Se nada mudar, denuncie ao sindicato e à fiscalização do trabalho.

D

Proteja seu futuro

Se o INSS negar o nexo ocupacional, a via judicial permite perícia por médico de confiança do juiz — a NR-1 é o argumento mais forte.

A conformidade trabalhista é estratégia — e direito

Se você é empresa e precisa se adaptar às novas regras, ou se é trabalhador afetado por descumprimento, a orientação jurídica preventiva é o que protege o seu negócio e o seu futuro. Atendo em todo o Brasil, de forma digital e humanizada.

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Dúvidas Frequentes (FAQ)

Quando a nova lei da licença-paternidade entra em vigor?
A Lei 15.371/26 entra em vigor em janeiro de 2027. O ano de 2026 foi reservado para que empresas adaptem políticas internas, processos de afastamento e sistemas de folha de pagamento à ampliação gradual do período de licença, ao salário-paternidade e à estabilidade provisória.
O que são riscos psicossociais na NR-1?
Desde maio de 2026, fatores como assédio, sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas e burnout passaram a integrar o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). A saúde mental deixou de ser uma questão de bem-estar e passou a ser uma questão de conformidade legal.
O que é o FGTS Digital e quando ele é obrigatório?
O FGTS Digital é a nova plataforma de recolhimento do Fundo de Garantia. Tornou-se obrigatório em recolhimentos decorrentes de ações trabalhistas, exigindo maior integração entre RH, Jurídico e áreas administrativas.
O RH pode ser responsabilizado por não cumprir as novas regras?
Sim. A conformidade trabalhista passou a caminhar lado a lado com a estratégia de gestão de pessoas. O RH que não revisar processos, orientar lideranças e garantir a adaptação da empresa às mudanças legais pode expor a organização a passivos trabalhistas e responsabilidade pessoal.
Como a Dra. Angélica Rossi pode ajudar empresas e trabalhadores?
A Dra. Angélica atua na prevenção de riscos e na adaptação de empresas às novas exigências legais, bem como na defesa de trabalhadores afetados por descumprimento das novas regras. Atendimento digital em todo o Brasil.
Dra. Angélica Rossi

Dra. Angélica Cristina Rossi

OAB/SP 396.646

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